terça-feira, setembro 27, 2022

Luz, câmera, ação...

Existem momentos na vida em que precisamos ter a consciência necessária para direcionarmos nossas forças. Nem tudo o que é certo faz sentido, mas é certo e, portanto, deve ser feito.

É fácil relegar ao próximo a tarefa de seguir o caminho que nem começamos a percorrer. É cômodo e, talvez, seguro, assistir a tudo do sofá da sala.

Importa menos o como. Importa mais o porquê e mais ainda o resultado final. Nossas ações, pensadas ou não, fazem parte de nossas escolhas, nos acompanhando para todo o sempre.

Ainda que pese o fato de sabermos contar até cem, não sabemos fazer as contas do tempo que perdemos com viagens sem sentido em torno do nada.

O conto de fadas da vida real só tem fim quando entendemos que nós somos o personagem principal.

Imagem do post: Pexels.com/Iuri Bessa


quarta-feira, agosto 31, 2022

Caso do acaso 2

Você para mim foi tanta coisa que nem tenho palavras para exemplificar. Foram muitos momentos bons e outros tantos ruins. A maioria deles foi péssimo, mas todos foram válidos.

Refletir é preciso, importante e necessário. Nosso começo foi mágico e nosso termino foi trágico, mas libertador. Para nós!

Não houve quem mais perdeu ou quem mais ganhou. Houve ganhos e perdas para ambos. Você perdeu seu tempo comigo e eu perdi minha sanidade contigo.

Independente de todas as coisas, de todos os senões, ainda temos as lembranças para nos ensinar o que devemos evitar em nossos próximos relacionamentos. Você deve evitar alguém como eu e devo evitar alguém como você.

Mesmo assim ainda te amo assim como você ainda gosta de mim.

Imagem do post: pexels.com.br/alteredsnaps

terça-feira, agosto 23, 2022

Sem dor

Nem sempre a ausência da dor significa a ausência do ganho. Você não precisa sofrer para ganhar e não deve valorizar apenas e tão somente os que tiveram inúmeros percalços antes de uma vitória.

Cada etapa deve ser celebrada e não existe uma regra ou receita. Não se mede a importância de uma conquista por seu grau de dificuldade. Alguns conhecem os atalhos. Outros só aprenderam uma forma de chegar.

É importante não menosprezar a chegada, não condicionar o fim aquilo que acreditamos ter mais valor, portanto ignore todos os que acharem que as suas conquistas não são “grandes” o suficiente. Só você sabe o tamanho do seu esforço para chegar aonde chegou, mesmo que não tenha feito esforço algum.

Imagem do post https://www.pexels.com/Katerina Hnidash

segunda-feira, agosto 15, 2022

Top 10 do Deezer - Julho

 

1 - Leviana / O meu amor tem preço / Contentamento - Mestre Marçal - Entre amigos

2 - You are the sunshine of my life - Cecilia Dale - Standards in bossa 4

3 - Cansei de esperar você - Leandro Lehart - Violão é no fundo do quintal 2

4 - Californication - Red Hot Chilli Peppers - Californication

5 – Everglow - Coldplay - A head full of dreams

6 - Details in the fabric (Feat. James Morrison) - Jason Mraz - We sing. We dance. We steal things

7 - Além do espelho - João Nogueira - Além do espelho

8 - Kid Brilhantina - Branca di Neve - Branca mete bronca

9 - É tanta - Leandro Lehart - Violão é no fundo do quintal 2

10 - Não adianta - Trio Mocotó - Que nega é essa?

Imagem do post: Google

domingo, agosto 14, 2022

Acabou

- Ele vai voltar! – Disse Jéssica após se certificar que todas as roupas dele não estavam no armário.

As malas, da ultima viagem, também foram levadas. O carro ainda estava na garagem, mas por estar no nome dele provavelmente ele voltaria para buscar.

- Ele se esqueceu de molhar as plantas! – Exclamou Jéssica com irritação quando viu seu “coração valente” com as folhas caídas e a terra seca.

Os cães estavam alimentados, sinal de que dessa vez ele lembrou onde estava à ração vegetariana do Atila. Ela não queria um cachorro, foi convencida quando adotaram Princesa, uma Golden Retrivier que foi deixada em uma associação. Logo depois adotaram o Atila, um buldogue francês com problemas intestinais.

- Ele não levou as joias! – Concluiu Jéssica ao encontrar o relógio que ele mais gostava jogado sobre a escrivaninha. Era um relógio dourado com números em romano e ponteiros em forma de seta. O relógio estava na família desde que o bisavô dele, Alcebíades Moreira Peixoto Damasceno das Neves, ganhou pelos serviços prestados a gráfica mais famosa da cidade. Foram cinquenta anos imprimindo grandes publicações, catálogos, calendários, agenda e todo o tipo de materiais que precisavam da qualidade que só a gráfica Imperial com suas impressoras importadas podia fornecer.

Não houve tempo para explicações, espaço para lamentos ou oportunidade de esclarecerem as coisas. Jéssica e Eduardo assinaram os papéis da separação dois meses após o fim.

Ele viajou para a Austrália, tornou-se biólogo de um famoso parque aquático. Ela continuou a vida no interior, agora como veterinária da mais famosa fazenda da região.

O carro foi vendido. Atila morreu um ano depois. Princesa continuou com Jéssica e agora morava na fazenda. O relógio continua na família Moreira Peixoto Damasceno das Neves, só que agora pertence ao sobrinho do Eduardo.

Imagem do post: Pexels.com / Olya Kobruseva

sábado, agosto 13, 2022

Sem querer

 

Sem querer eu me perdi aqui e encontrei você em meio ao caos. Sem querer eu me encontrei e perdi você no vendaval.

Sem pensar em nada eu andei. Sem fazer juízo de valor. Sem qualquer rancor, sem qualquer pudor, sem olhar e nem pedir perdão.

O que temos é mais do que um simples replay na tela do cinema, é mais do que um mero poema escrito às pressas no meio do mar. É inspiração. É força motriz. É raio de ação. É quase uma dor que renasce do choro incontido na hora do adeus.

Imagem do post: Pexels.com / Joan Costa

sexta-feira, agosto 12, 2022

A festa terminou

 

Ainda que fosse impossível determinar as causas, ainda era possível dizer como aconteceu.

Tarde da noite ele saiu de casa, disperso, para caminhar e foi abordado por dois rapazes que alegaram estar perdidos. Ele os indicou o melhor caminho para chegar à rodovia e eles seguiram.

Não era difícil prever que seguindo fielmente o que ele disse os dois rapazes chegariam à rodovia. Só que os dois rapazes nunca chegaram à rodovia.

Três da manhã e ele juntamente com os rapazes estava em um bar movimentado bem no meio da cidade. Entre doses de uísque barato e baforadas de cigarro, pessoas riam alto e trocavam olhares.

Rostos desconhecidos, corpos suados, música alta e muitas risadas. Luzes coloridas em um ambiente em que ninguém se ouvia, mas todos se entendiam perfeitamente.

Ali eles ficaram até o amanhecer e só saíram porque a festa terminou.

Os rapazes não chegaram à rodovia. Ele não voltou para casa.

Imagem do post: pexels.com/ Nina Hill

quinta-feira, agosto 11, 2022

Recomeço

Três dias em claro depois do fim e nada mais era como antes. Há pessoas perdidas no espaço.

No meio de tanto caos o que seria mais prudente? Lírios? Rosas? Margaridas?

Sem flores por enquanto. Sem cores por enquanto.

Antes dos acontecimentos passados nos víamos como superiores. Antes do fim éramos os únicos que detinham a fonte do poder. Tanto poder em mãos erradas e chegamos onde estamos.

Não foi a guerra à única responsável por tudo o que aconteceu, mas não podemos relegar o fato de que sem ela talvez ainda pudéssemos estar vendo o por do sol.

Nossas crianças agora, mais do que nunca, são o futuro. Dependemos delas para que algo ainda seja feito. Temos que ser fortes para dar a elas a chance que não aproveitamos de consertar o mundo.

Em que pese o fato que sabíamos o que iria acontecer, ainda há esperança se pudermos verter todo o esforço para a reconstrução. Sem armas, sem amarras, sem discordância. O foco deve ser um só.

A igualdade não nos fez melhor, a igualdade não nos tornou aptos a distinguir o que é certo. A igualdade nos deixou frágeis diante dos acontecimentos. Tínhamos muito tempo antes do fim e agora temos pouco tempo antes de recomeçar.

Imagem do post: pexels.com/ Anna Panchenko

quarta-feira, agosto 10, 2022

Caso do acaso 2

 


Nos reencontramos em um dia frio de inverno. Não um dia frio qualquer, mas o dia mais frio daquele inverno.

Você estava vestindo um enorme casaco com feltro ou algo do tipo, sou péssimo em tecidos e eu estava tentando fazer com que o paletó desse conta de me aquecer. Estava realmente muito frio aquele dia. Inacreditavelmente a previsão, que sempre acertava, estava totalmente errada.

Disseram na TV, no principal noticiário, que faria sol.

Não acreditei. Só não esperava um frio como aquele.

Perdi preciosos segundos, talvez minutos, tentando identificar no seu rosto algum traço daquele tempo. Tentei ver nos seus olhos o mesmo brilho do tempo em que não nos preocupávamos com a hora ou com o que estava acontecendo lá fora.

Dias intensos os que vivemos. Grandes dias.

Por um instante achei que você não fosse me reconhecer. Talvez a barba ou o corte de cabelo. Quem sabe as rugas. A pele detonada pelo tempo. O vento.

Você continuava a mesma, mas o seu cabelo estava diferente. Notei algumas mechas descoloridas, alguns tons mais escuros nos fios que caiam sobre seus olhos. Coisa da minha cabeça talvez.

A memoria falha consideravelmente depois de alguns anos. Dez? Quinze? Dezessete!

Isso. Dezessete anos depois aqui estamos nós de frente um para o outro sem dizer nenhuma palavra. Será que precisamos dizer algo um para o outro? Você ainda esta magoada? Não sei se quero pensar no passado.

- Cinco segundos antes. Nem cinco segundos a menos e nem cinco segundos a mais.
- Exato! Você lembrou...
- Era para esquecer? Não tem como.
- Não! Não foi isso que quis dizer, é que eu não esperava encontra você aqui. Não esperava assim tão de repente.
- Deveríamos ter combinado antes?

Ela me pegou. Bingo. Eu estava nervoso, não sabia o que dizer.

Sempre achei que seria mais fácil quando nos reencontrássemos. Achei que o tempo ia me deixar mais seguro, com argumentos que justificassem tudo. Não pensei que esse encontro casual pudesse me fazer esquecer as palavras e parecer um adolescente sem saber o que fazer.

Não há ensaios para o inesperado. Ela estava pronta, sabia o que dizer, tinha as palavras na ponta da língua. Eu só pensava em coisas desconexas, não tinha ideia de como conduzir aquela conversa sem parecer um completo idiota. Talvez fosse melhor fingir um compromisso inadiável e fugir dali ou simplesmente ignorar a presença dela como se nada tivesse acontecido.

- Como você está?
- Bem e você?
- Atarefada com os preparativos. Minha irmã vai se casar em maio e está meio indecisa com muitas coisas. Estou tendo que ajuda-la nessa coisa de pensar nos detalhes e não se esquecer de itens importantes.
- Não imagino você com um bloco na mão fazendo anotações de flores, doces e arranjos.
- Nem queira imaginar. Mas e você, o que está fazendo?

Se disser que ainda estou perplexo com esse encontro, vale?

Fato que não sei o que estou fazendo. Estava indo para uma aula importante. Meus alunos ainda devem estar me esperando, ai nos encontramos e pronto. Não sei o que estou fazendo.

- Álgebra. Dou aulas de álgebra na faculdade de matemática. Não tenho que correr atrás de flores, doces e arranjos, mas estou feliz com isso.
- Então o matemático venceu o físico.
- Diria que o físico se cansou da falta de oportunidades.
- Perdeu a esperança?
- Eu tinha esperança em nós, se é isso que você quis dizer. Não, espere... Desculpe, não foi isso que eu quis dizer...
- Depois de dezessete anos ainda vamos ter essa conversa?
- Não deveríamos?

Imagem do post: pexels.com/Lal Toraman

terça-feira, agosto 09, 2022

Homem de pouca fé

 


Acredito cegamente que um dia todas as coisas que conhecemos hoje não serão mais do jeito que imaginamos. Acredito tal e qual algumas pessoas acreditam em fadas, gnomos e duendes. Eles existem.

Acreditar pode não ser a melhor palavra a ser empregada nesse caso, mas é a primeira que me vem à mente quando penso em tudo o que já vi, vivi e ainda vou viver. Exatamente do modo que foi concebido, da maneira que foi realizado.

Leva um tempo até as pessoas se darem conta de que não há no reino, seja ele qual for, figura de linguagem que possa compreender tudo. Até certo ponto é nisso em que devemos acreditar, mas não que isso seja necessariamente a verdade universal por trás de todo o contexto.

Em que pese o fato que não somos mais crianças correndo atrás de sonhos, ainda podemos nos contentar com pedaços de ilusão no meio da noite. Fragmentos de pensamentos perdidos no espaço que voltam para nos fazer pensar naquilo que ainda não se mostrou real. O imaginário vence no final, isso e fato.

Notadamente perdemos o fio da meada.

Impossível rascunhar o que estou sentindo desde o momento em que peguei os cacos e juntei em uma forma disforme. Surreal crer naquilo que não podemos ver. Eu acredito que é assim.

Um dia será diferente e nesse dia vamos celebrar o fato de não ter sido igual, mesmo sabendo que é igual. Não há motivos para celebrar e por isso mesmo, vamos fazer o que nos for pedido.

Imagem do post: pexels.com/stayhereforu

 

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