quinta-feira, junho 22, 2017

Vida em movimento

vida em movimento

Não se jogue do bonde rapaz você pode cair e aí será tarde demais. Levantar para que? O melhor é ficar onde está.

Não se jogue do bonde porque você vai se machucar. Não se jogue do bonde porque ele é rápido demais e se você cair não vai dar para voltar, por isso não se jogue do bonde rapaz.

Quem se joga do bonde não tem garantia alguma de nada, mas quem não se joga também não tem nada a dizer. Só pode fazer aquele que sabe o que faz. Curiosos são tantos que até é capaz de um deles do nada surgir e tentar entender o porque se perde a razão quando o certo seria insistir sem reclamar e sorrir.

Não se jogue do bonde rapaz, porque a vida não está em cartaz. O fim está perto demais e seria seguro manter seus ideais.

Reflita a tempo que o melhor momento é sempre aquele em que tudo acontece. Reflita com calma, aquiete a alma, deixa o barco seguir. Navegando em paz se chega ao destino, vá em frente rapaz.

Imagem do post: Redheads be here

quarta-feira, junho 21, 2017

A gata do Téo

a gata do teo

Cachorros, esses sim são bichos sem frescura e sem nenhuma afetação. Sim existem os poodles e outras raças igualmente suspeitas, mas estas não representam a classe. Os cachorros, com ou sem pedigree, não tem neuras para dormir, para comer, para fazer suas necessidades e muito menos se acham mais do que são. Cachorros são cachorros e só, nada mais.

Em se tratando da natureza e das coisas que não tem explicação, não é de se espantar que existam os gatos, felinos, que tem parentes nobres como o tigre e o leão. Os gatos, esses animaizinhos repletos de frescura e afetação, vivem pelos telhados pulando para lá e para cá, miando, se auto higienizando e comendo apenas a parte que eles consideram nobre do lixo que encontram por ai.

É da natureza deles não comer qualquer coisa, não dormir em qualquer lugar e muito menos aceitar qualquer ser humano como dono. É aí que entra o Téo e sua gata, a Fifi.

Fifi não é uma gata qualquer, é uma gata criada pelo Téo e o Téo não é um ser humano qualquer, é um ser humano cheio de frescura e afetação. Fifi não toma leite se o pote não estiver em cima da mesa, ela toma café junto de seu dono. Fifi só come ração natural, importada, 100% orgânica. Fifi não aceita menos quando sabe que pode e vai receber mais.

Fifi é tratada a pão de ló.

Téo é o dono que todo gato gostaria de ter, porque ele é daqueles donos que até se deita para que o gato pise em cima e gatos tem essa necessidade de se sentirem donos do pedaço, de serem os dominantes da situação.

Imagem do post: Google

quarta-feira, junho 14, 2017

Bolinha de sabão

bolinha de sabao

Faz espuminha no banho todas as noites. Muito legal.

Isso de não ter sentido é só marketing. Puro encantamento para mostrar a todos que as coisas funcionam. A banheira é automática.

E faz espuminha.

A ultima coisa que se pensa dentro de uma banheira dessas é no banho. Na coisa da lavagem, da higienização. O que se quer é ver a espuminha, sentir a espuminha, estar lá junto com a espuminha.

Espuminha, fato, é coisa estranha, mas é o que é há de melhor. Poderia dizer espuma, mas  não ia traduzir a essência da coisa. Espuminha é o termo exato.

Criança adora, faz bolinha de sabão. Adulto adora, brinca com a espuminha. Todo mundo gosta, relaxa e faz bem.

Imagem do post: Google

terça-feira, junho 13, 2017

Passas ao rum

passas ao rum

O melhor sempre foi o sorvete de creme, mas minha noiva insiste em pedir o de flocos quando não acha o de passas ao rum. Mania idiota a dela de comer chocolate depois do jantar, antes de deitar, só para me irritar. Já disse que sorvete de flocos não combina com café, mas ela diz que isso é cisma minha e que esse lance de harmonização é só uma forma de se vender itens com pouca saída.

Desde quando combinar duas coisas que não tem nada haver uma com a outra é uma jogada da indústria para desencalhar itens? Ela cria essas teorias, insiste nisso e perdemos a tarde toda debatendo o sexo dos anjos, ou como ela gosta de dizer, a vida dos querubins.

O dia em que ela parar de me irritar vamos nos separar, isso é certo, mais certo do que dois mais dois é quatro. Não que eu goste quando ela me irrita, mas é que se ela não me irrita não é ela e se não for ela não serve. Ela consegue me irritar até quando está dormindo, porque puxa toda a coberta, se estica na diagonal da cama e quase me joga no chão. Isso é dela, é o jeito que dela, não tem como mudar.

O melhor continua sendo o de creme, mas aqui em casa só entra o de flocos, porque ela nunca acha o de passas ao rum.

Imagem do post: Tumblr / Here are beautiful people

segunda-feira, junho 12, 2017

Caminhantes 2

caminhantes 2

A química dos meus dias de gloria era poder contemplar o mar antes de completamente despertar. Da varanda via o horizonte, o sol a brilhar e o mar. Aquelas ondas batendo, o vento soprando, pássaros em revoada e o mar. Tão logo amanhecia, tão logo os olhos eu abria e já sabia que lá ele estaria, o mar.

Nunca me faltou vontade de vislumbrar o mar. Nunca me faltou vontade de despertar, levantar, abrir os olhos e vislumbrar a minha frente o horizonte e o mar. Vontade. É isso, a palavra magica que transforma tudo, e ela nunca me faltou.

Na infância tinha vontade de chocolate, sempre tive. Na adolescência de descobrir novas coisas interessantes, sempre fui atrás de entender o funcionamento das pequenas coisas, dos itens inusitados e daquilo que me encantava. O projetor de cinema, a tela da televisão, o som do rádio. Meus pais achavam que eu seria um engenheiro, construtor de algo ou cientista, mas não tanto quanto eu.

Descobri cedo ou tarde demais, que não tinha aptidão para coisa pouca, eu queria mais do que o mundo poderia me dar e felizmente, ele me deu o que pode. O que ele pode me dar foi mais do que imaginei. Ao mesmo tempo em que eu crescia, desenvolvia talentos inusitados. Tinha impulsos incontroláveis, vontades inimagináveis e desejos cada vez mais estranhos.

Meus pais já haviam se conformado com o fato de que eu não seria o tal engenheiro dos sonhos ou o cientista famoso ganhador do Nobel. Eles intuíam que eu seria uma espécie de viajante, um homem inquieto em busca de novidades. Aquela vontade da adolescência de entender o funcionamento das pequenas coisas não desapareceu, só aumentou. As pequenas coisas agora eram não estavam mais no meu bairro, na minha cidade, no meu país, elas estavam espalhadas ao redor do mundo e eu precisava ir atrás delas.

Imagem do post: Tumblr / Morningstar

domingo, junho 11, 2017

Pirulito 2

pirulito 2

Ela é a namorada do namorado dela, ele é o namorado da namorada dela. E eles se amam.

E eles se amam, porque ela é a namorada do namorado dela e ele é o namorado da namorada dela.

Deitar na cama sem hora marcada só para fugir da rotina. Sair da cama, sem olhar para trás. Voar sem destino até o amanhecer. A namorada dele, o namorado dela.

Ela nunca foi a namorada de mais ninguém, só dele.

Ele nunca foi o namorado de mais ninguém, só dela.

Acontece que eles ainda não sabem o que será. Enquanto o tempo passa, nada do que era é real. Namorada dele, que é ela. Namorado dela, que é ele.

Um do outro, outro do um. Dois. É dele, é dela.

Imagem do post: Tumblr / In awe

sábado, junho 10, 2017

Sem aditivos químicos

sem aditivos quimicos

Feijão com pão é tão bom, mas tão bom, que tenho medo do governo inventar de tributar. Sério que isso sempre passa pela minha cabeça, é um pensamento recorrente.

A primeira vez que experimentei feijão com pão eu estava viajando e no restaurante onde fui almoçar esse era o prato principal. Pedi meio desconfiado, mas já na primeira mordida me apaixonei.

Hoje como feijão com pão todos os dias. Um ao acordar e outro antes de deitar. Um no almoço e outro no jantar. Sem feijão com pão não consigo mais ficar e por conta disso não paro de rimar

Imagem do post: Google

sexta-feira, junho 09, 2017

Caminhantes

caminhantes

Por toda extensão da via podemos ver carros estacionados como que em procissão, uma procissão de carros. O percurso não é dos maiores, não chega a uma maratona, mesmo assim demoramos mais de três horas para percorrer a costa oeste. Um dia nublado, muitas nuvens no céu e um clima estranho. Fumaça saindo das chaminés, lareiras a todo vapor, pessoas encolhidas dentro de seus casacos de lã e um frio cortante nos levando a entrar na primeira lanchonete que encontramos.

- Dois cafés bem quentes.
- Torta de maçã?
- Chessecake para mim.
- Aceito a torta.

Ficamos ali por cerca de uma hora conversando sobre ontem à noite, sobre os pedaços jogados sobre a mesa, sobre aquilo que não compreendíamos, mas que insistíamos em tentar compreender. Conversamos sobre muitas coisas. Perdemos aquela inibição inicial de dois desconhecidos, rimos como se já nos conhecêssemos há muito tempo, talvez até como se fossemos íntimos.

Ontem a noite fez mais frio do que agora. Ontem à noite dispensamos os casacos e nos aquecemos com nossos corpos. Saímos da lanchonete mais tranquilos, menos preocupados com os acontecimentos do passado, mas não ficamos pensando no futuro. Não queríamos criar uma historia que nunca iria acontecer. Fomos sinceros um com o outro enquanto bebíamos cada gole de café. Pagamos a conta da lanchonete com o único dinheiro disponível e não tínhamos nada para pegar uma condução, por isso continuamos a pé mais alguns quilômetros até o posto de gasolina.

- Boa tarde amigo estamos caminhando desde a Thompson Square e não temos nenhum dinheiro conosco, você poderia nos ceder um pouco de agua?
- Viajantes?
- Caminhantes.
- Daqui?
- Memphis.
- Elvis.
- Sim.
- Tem uma torneira embaixo do galpão, sirvam-se a vontade.

Imagem do post: Google

quinta-feira, junho 08, 2017

Luz que ilumina o caminho

luz que ilumina o caminho

Uma lamparina quando acesa pode iluminar um cômodo grande. Uma lamparina, somente uma lamparina e olhe lá. Tecnologia dos dias passados, pois hoje as lâmpadas cumprem muito bem o papel de donas do pedaço. O lance da iluminação passa por várias etapas e compreende muitos processos, uns simples e outros complexos, mas ambos de extrema importância.

Uma lâmpada não é apenas uma lâmpada.

Dito isto podemos dizer com propriedade que a luz, essencial, não pode ser ignorada.

Não espere coerência em um texto como esse. O foco aqui é outro. Não tenho a pretensão de iluminar nenhum caminho, muito menos de discorrer sobre lâmpadas e afins.

Sabe quando nada vem à mente? Então, foi isso.

Nada veio a mente, só uma lamparina e a partir dela todo o resto, esse amontoado de palavras, frases e parágrafos desconexos.

Obrigado pela leitura.

Imagem do post: Tumblr / Here are beautiful people

quarta-feira, junho 07, 2017

Pirulito

pirulito

Ela é o pirulito do pirulito dele, ele é o pirulito do pirulito dela. E eles se amam.

E eles se amam, porque ela é o pirulito do pirulito dele e ele é o pirulito do pirulito dela.

Deitar na cama sem pijama ao meio dia só para fugir da rotina. Sair da cama, sem tocar o chão. Alçar voo sem rota de colisão até o amanhecer. O pirulito dela, o pirulito dele.

Ela nunca foi o pirulito de mais ninguém, só dele.

Ele nunca foi o pirulito de mais ninguém, só dela.

Enquanto o sol surge no horizonte, eles ainda não sabem o que será. Enquanto a lua some faceira, nada do que era antes permanecerá. Pirulito dela, que é dele. Pirulito dele, que é dela.

Um do outro, outro do um. Dois sem tirar e nem por. É dela, é dele.

Imagem do post: Tumblr / All beautiful women

terça-feira, junho 06, 2017

Sem conservantes

sem conservantes

- É de fígado!
- Patê?
- Sim, patê.
- E é bom?
- Delicioso.
- Nunca imaginei.
- Boi?
- Galinha.
- Nossa, tantas para um potinho.
- Nem é, porque de certo tem outras misturas no meio.
- Então não é natural.
- E o que nessa vida é.
- Pensando bem nada.
- Então...
- Deixa experimentar...

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segunda-feira, junho 05, 2017

Pão grampeado

pao grampeado

- Padaria do Manoel, bom dia!
- Podemos falar?
- Manoel, bom dia!
- Pão careca, tem hoje?
- A broa está melhor, um tanto quanto crocante, mas ao gosto do freguês.
- Deixa a massa do pão doce descansar mais um pouco e não pesa a mão no açúcar
- As rosquinhas estão quentinhas ainda
- Eu sei, mas ainda não estou podendo com o glúten
- Vou mandar um empadão de frango, farinha especial, você vai gostar
- Bastante recheio, por favor.
- Muito, do jeito que você sempre recebeu.
- Pego as baguetes na próxima semana junto com os frios.
- Ok, ao seu dispor
- E a família, como está?
- Ora, vamos evitar assuntos pessoais por aqui, hoje em dia não podemos dar bobeira com os grampos.

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domingo, junho 04, 2017

Nau a deriva

nau a deriva

Estamos todos no mesmo barco, mas pensamos muito diferente.

Você é embutido, uma mistura de coisas prensadas, embaladas e processadas. Ele é uma fritura, uma massa amarela recheada, em formato de gota.

Você torce para que tudo dê certo. Ele também.

Você gosta do vermelho. Ele não tem uma cor definida, mas simpatiza com o azul e o amarelo.

Você defende a inclusão, não importa como. Ele defende a inclusão, mas só dos que podem ser incluídos.

Você não gosta dos detalhes, acha que dois mais dois, independente do contexto, é sempre quatro. Ele é detalhista ao extremo e sabe que em alguns casos, dois mais dois, mesmo sendo quatro, não resolve o problema.

Você gosta de analisar o presente sob a ótica do passado. Ele analisa o futuro sob a ótica do presente.

Você acha que todos são iguais, desde que essa igualdade seja fora do seu mundo. Ele acha que na teoria todos são iguais, mas que na prática isso não funciona.

Você quer um mundo mais justo. Ele também, desde que todos se esforcem.

O objetivo é o mesmo, mas você, por muitas vezes sonha acordado de olhos fechados e ele, por muitas vezes, deixa de sonhar por medo de não conseguir acordar.

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sábado, junho 03, 2017

Mensagem instantânea

mensagem instantanea

Sempre há algo novo que não pode esperar, algo urgente que não podemos deixar para depois. Por vezes é critico, emergencial e de suma importância, por isso temos que ver, responder, interagir e não importa onde. As coisas que antes não tinham a mínima importância em nossa vida cotidiana transformaram-se em itens sem os quais não conseguimos mais viver.

Não podemos aguardar o conforto do lar para ver a nova foto que o primo do vizinho do cunhado da irmã da nora do dono do mercado da esquina compartilhou na rede social da moda. Não há nada que nos impeça de mandar bom dia a todos os milhares de amigos do aplicativo de mensagens, mesmo sabendo que metade não vai ler e apenas um ou dois amigos irá responder. Estamos ali, conectados a uma vida virtual onde qualquer segundo perdido pode significar estar por fora dos acontecimentos.

Aquele “oi...” não pode ser depois. As fotos da festa que esta acontecendo, não podem ser compartilhadas no dia seguinte ou no final da festa, elas tem que ser vistas e “curtidas” por todos logo após serem tiradas. Tudo é urgente, imediato e para ontem. Cada segundo perdido significa menos uma curtida, menos uma visualização e menos um compartilhamento.

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sexta-feira, junho 02, 2017

Caldo de sardinha

caldo de sardinha

É o que tem.

E como tem.

O bar do Agenor só vende isso e olhe lá. Você bebe uma cerveja super gelada, toma um drink especial à base de cana, mas só tem uma opção de aperitivo, o famoso caldo de sardinha.

De bom o caldo não tem nada, mas é só o que te,

Agenor compra as sardinhas todos os dias, tempera com limão, sal e alho, coloca em uma panela junto com tomate, cebola e coentro. Enche de agua e deixa o troco cozinhar até as sardinhas desmancharem. Ao final do processo bate tudo no liquidificador com um pouco de pimenta e volta para a panela à espera dos pedidos.

A primeira vez que experimentei jurei nunca mais provar aquele caldo, mas dei uma segunda chance ao Agenor e me arrependo até hoje. O Caldo só não é pior porque não dá, de resto, é intragável.

Não conheço viva alma que goste do caldo, nem o Agenor gosta, mas ele diz que faz porque já virou uma tradição. A tradição é perguntar pelo caldo, não comer e é só por isso, que o Agenor ainda tem todo esse trabalho fazendo algo que ninguém come.

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quinta-feira, junho 01, 2017

Modo de preparo

modo de preparo

Pegue duas salsichas e coloque em agua fervente por cinco minutos. Desligue o fogo, descarte a agua e reserve as salsichas. Aqueça uma panela com um fio de óleo ou azeite e refogue meia cebola e um dente de alho. Quando eles estiverem dourados, cuidado com o alho, pois queima rápido, acrescente dois tomates sem casca e sem sementes. Deixei cozinhar, mexendo de vez em quando, em fogo baixo até reduzir e formar um molho espesso. Caso seja necessário acrescente agua, pouca, e pronto.

Desligue o fogo, incorpore as salsichas nesse molho, coloque sal a gosto e pronto.

Antes de começar você precisa seguir corretamente a receita, sem se esquecer de nenhum detalhe. Não mude os ingredientes listados ou a ordem em que eles são preparados e nunca, em hipótese alguma, coma sozinho.

O principal ingrediente desta receita é o compartilhamento, por isso duas salsichas e não uma. Dividir, partilhar, faz toda a diferença no preparo, pois você devota amor em dobro quando prepara um prato que será saboreado por você e por uma pessoa querida.

Imagem do post: Google

 

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